domingo, 24 de maio de 2015
"A mulher não se amolda nem se dobra em um dia aos caprichos da paixão. A voluptuosidade, como uma flor rara, exige os mais engenhosos cuidados de cultivo; só o tempo e a integração das almas podem revelar todos os recursos, fazer nascer esses prazeres ternos, delicados, pelos quais somos imbuídos de mil superstições e pelos quais nos acreditamos inerentes à pessoa cujo coração nos prodigaliza tanto. Esse admirável entendimento, essa crença religiosa, essa certeza fecunda de sentir uma felicidade particular ou excessiva junto à pessoa amada constituem em parte o segredo dos relacionamentos duráveis e das longas paixões. Perto de uma mulher que possui o gênio do seu sexo, o amor nunca se torna um hábito; sua adorável ternura sabe revestir formas tão variadas; ela é tão espiritual e tão amorosa a um só tempo; põe tantos artifícios em sua natureza e tanta naturalidade em seus artifícios, que se torna tão poderosa pela lembrança quanto pela presença. Junto a ela todas as outras mulheres empalidecem. " (Balzac, em "A Mulher Abandonada")
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